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segunda-feira, 3 de março de 2014

Calçado quer duplicar exportações para 20% fora da Europa

Esta indústria quer agora captar 70 milhões de euros do novo QREN para investir na promoção externa, tendo como um dos objectivos chegar a 2020 a gerar 20% das exportações nos mercados extra-UE.
 
Os anos de recessão económica em Portugal, desde a eclosão da crise mundial em 2008, têm sido de grande crescimento para a indústria nacional de calçado. Focalizada nos mercados externos, onde vende mais de 95% da sua produção, aumentaram as suas exportações em 34% nos últimos cinco anos, de 1,291 mil milhões em 2008 para 1,735 mil milhões de euros no ano passado, num total de 132 países dos cinco continentes.
 
O crescimento em 2013 foi de 8% em relação ao ano anterior, tendo o preço médio do par exportado aumentado 3,5%, para 23,5 euros, reforçando a posição do calçado português como o segundo mais caro do mundo, sendo apenas superado pelo italiano.
 
As empresas portuguesas do sector continuam entretanto a reforçar as suas vendas no exterior, sobretudo por via da aposta nos mercados de fora da Europa, que têm sido "a grande força motora" do crescimento do sector. Os mercados extracomunitários, que geraram 8% das exportações portuguesas de calçado em 2008, representaram 13% das vendas totais no ano passado.
 
Grandes destaques: Rússia, mais 288% para 49 milhões de euros; Estados Unidos, mais 140% para 27 milhões de euros; Angola, mais 79% para 27 milhões de euros; Canadá, mais 176% para 18 milhões de euros; e Japão, mais 190% para 15 milhões de euros.
 
A China é um caso especial: o maior produtor mundial de calçado tem em Portugal o seu sétimo maior fornecedor de sapatos, que deverá galgar duas posições até ao final do próximo ano.
 
Directa e indirectamente, o nosso País exportou para o gigante mercado chinês cerca de 20 milhões de euros no ano passado, mais que duplicando a performance registada no ano anterior.
 
Curiosidade adicional: é para a China que os industriais portugueses de calçado vendem o calçado mais caro - 32 euros o par, mais nove euros do que o preço médio.
 
E é na China que muitas empresas portuguesas de calçado estão agora a explorar novas vias de exportação. Na Micam, maior feira mundial de calçado, que decorre até esta quarta-feira em Milão, Itália, o Negócios encontrou várias empresas que estão a investir fortemente neste mercado, como a Nobrand, a Carité ou a Profession Bottier, que já são presenças assíduas na Micam Xangai.
 
Para incrementar ainda mais as exportações, a indústria portuguesa de calçado, que beneficiou de cerca de 55 milhões de euros em incentivos financeiros do actual quadro comunitários de apoio para promoção externa, pretende agora captar cerca de 70 milhões de euros do novo ciclo de fundos comunitários (2014-2020), a uma média anual de 10 milhões de euros, para reforçar a promoção dos sapatos "made in" Portugal nos mercados internacionais.
 
Um dos grandes objectivos a cumprir, neste período de sete anos, revelado ao Negócios em primeira mão pelo director de comunicação da associação do sector (APICCAPS), é ganhar sete pontos percentuais no peso dos mercados extracomunitários no total das exportações. "A nossa expectativa é que as vendas fora da Europa, que eram de 8% em 2008 e passaram para 13% em 2013, cheguem aos 20% em 2020", adiantou Paulo Gonçalves.


In' Jornal de Negócios

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