sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

WSJ: Portugal enfrenta o orçamento do "ou vai ou racha"

O Orçamento do Estado de Portugal para este ano, que vai ser apresentado na próxima terça-feira, está a captar as atenções dos investidores internacionais. É que os problemas na Grécia fizeram com que os investidores ficassem mais interessados em saber como Portugal vai reduzir o seu défice orçamental. Por isso o " The Wall Street Journal" diz que este é o orçamento do "ou vai ou racha".

Apesar de a situação em território nacional não ser tão complicada como a dos gregos, conforme o Barclays Capital salientou recemente, o certo é que os receios de um efeito-contágio começam a intensificar-se.

O termo depreciativo PIIGS (porcos) começou a generalizar-se para apontar as economias actualmente mais problemáticas da Europa Ocidental: Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha. Desde então, e com alguns “downgrades” à mistura, decretados por importantes agências de notação do risco da dívida, todos os olhos estão postos nestes países. E Portugal não é excepção.

“Portugal viu o que aconteceu na Grécia, pelo que isso deve encorajar mais medidas de austeridade na sua proposta de orçamento”, comentou hoje ao “The Wall Street Journal” um estratega do Nomura, Sean Maloney. No entanto, advertiu, “qualquer tipo de petulância nas políticas, de forma a obter melhores números do que em 2009, será encarada com grande suspeição pelos mercados”.

“O mercado não está só à procura de promessas em termos de objectivos. Está também à procura de detalhes práticos”, acrescentou Maloney ao “WSJ”, que intitula a notícia com a análise ao orçamento português de "Portugal's take-or-breake budget".

As empresas de “rating” também estão cépticas, salienta o jornal na sua edição electrónica. No mês passado, a Moody’s Investor Service e a Standard & Poor’s alertaram para a possibilidade de revisões em baixa da classificação da dívida portuguesa. A Moody’s chegou mesmo a “meter Portugal e a Grécia no mesmo saco”, recentemente, ao dizer que as economias de ambos os países se arriscavam a uma “morte lenta”, à medida que aumentam os pagamentos da dívida, relembra o “WSJ”.

“Quando Sócrates foi eleito para o primeiro mandato como primeiro-ministro, no início de 2005, herdou um plano orçamental que teria deixado o país com um défice correspondente a 6,8% do PIB. Então, o seu governo fez aprovar um orçamento rectificativo que levou aquele número para 6,1% do PIB nesse ano. Os aumentos de impostos, cortes nas despesas públicas e reformas nos sistemas da Segurança Social e da Saúde ajudaram a reduzir ainda mais o défice, para 2,7% em 2008”, salienta o “The Wall Street Journal”.

“Já o conseguiram no passado. Atendendo às pressões a que estão sujeitos e aos desenvolvimentos na Grécia, estou certo que conseguirão fazê-lo de novo”, comentou àquele jornal o economista-chefe do Santander Totta, Rui Constantino. “Será difícil, e o panorama macroeconómico é incerto, mas a situação era muito mais dura em 2005. O governo precisa, decididamente, de um orçamento que acalme as agências de ‘rating’ neste momento”, acrescentou.

Por seu turno, Gonçalo Pascoal, economista-chefe do BCP, declarou ao mesmo jornal que “há duas coisas que poderão ser muito úteis”. “Uma delas é a reforma da Segurança Social. A outra é que os funcionários públicos tenham muito mais consciência de que os aumentos salariais têm de ser muito moderados”, referiu.


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