segunda-feira, 15 de março de 2010
Mota-Engil desvaloriza mais de 3% após resultados e saída de CFO
A empresa liderada por Jorge Coelho fechou a valer 3,316 euros. Numa nota de “research” divulgada hoje de manhã, o BPI assinalava que a saída do CFO, Eduardo Rocha, deveria ofuscar o anúncio dos resultados, o que acabou por acontecer.
"Eduardo Rocha era o homem que os investidores conheciam e o administrador por detrás das operações mais relevantes que o grupo levou a cabo nos últimos 18 anos", referiu a análise do BPI.
Também o Millennium bcp assinala que a saída de Eduardo Rocha "é claramente negativa para as acções, pois Eduardo Rocha conquistou um forte capital de respeitabildiade que não será facilmente substituído".
Eduardo Rocha vai ser substituído por Luís Cardoso da Silva como "chief financial officer" da Mota-Engil na próxima assembleia geral da construtora, marcada para 31 de Março. Além da substituição do CFO na administração do grupo liderado por António Mota, entrará ainda para a gestão do grupo Maria Isabel Peres. A Mota-Engil passará a ter 15 administradores, mais um do que tem actualmente, e elevará para três o número de vice-presidentes. Jorge Coelho manterá o cargo de presidente executivo.
Reacções aos resultados não foram consensuais
A construtora apresentou esta manhã, antes da abertura da bolsa, os resultados de 2009 e as perspectivas para 2010. Alguns analistas consideraram estes resultados “sólidos”, enquanto que para outros foram “mais fracos do que esperado”.
O lucro atribuível ao grupo mais do que duplicou, animado por um crescimento de 14% do volume de vendas e pelo ganho obtido na Martifer. Com efeito, o resultado líquido consolidado da construtora cresceu para 71,7 milhões de euros, contra lucros de 30,56 milhões de euros no período homólogo.
Segundo os analistas do BPI, os resultados de 2009 foram “mais fracos ao nível operacional”, com o resultado líquido a ficar nos 3,8 milhões de euros no último trimestre de 2009, o que compara desfavoravelmente com os 15,2 milhões de euros estimados pelos banco de investimento.
Os analistas do Espírito Santo Equity Research destacaram que as vendas da construtora ficaram 2,7% abaixo das suas estimativas, com a actividade melhor da área de Ambiente e Serviços a não ser suficiente para compensar menor volume na construção e nas concessões de auto-estradas.
Já o Caixa BI referiu que “os números para 2009 reflectem uma performance forte da empresa” e sublinharam a carteira de encomendas de 3,6 mil milhões de euros, que compara favoravelmente com o valor em Setembro de 2009, que se saldava em 2,6 mil milhões de euros.
O UBS, que avalia as acções da Mota-Engil em 5,00 euros, e tem uma recomendação de “comprar”, afirmou que os resultados ficaram “em linha”, mas optou por centrar as atenções nas projecções da construtora. “O ‘guidance’ parece-nos um pouco cauteloso, com um crescimento de apenas um dígito nas receitas enquanto nós prevemos um aumento de 13%”.
Recorde-se que na sexta-feira se soube que as autoridades do México anularam o concurso para a construção de uma auto-estrada, por nenhum dos concorrentes ter apresentado uma proposta que atingisse o “nível de satisfação técnico”. Uma notícia que os analistas consideram com impacto “neutral a negativo”, porque havia alguma expectativa de que a construtora podia ter ganho esta concessão.
Fonte: Jornal de Negócios
Bolsas Europeias recuam pressionadas pela China, Índia e Moody s
A BHP Billiton, a maior empresa mineira do mundo, esteve entre as empresas que maiores quedas tiveram entre os 19 grupos industriais europeus com a desvalorização dos metais. A BHP caiu 1,48% para 77,29 pence. A Deutsche Telekom, a maior empresa de telecomunicações da Europa, recuou 0,78% para 9,808 euros, depois da casa de investimento Bank of America ter cortado a recomendação para as acções de “neutral” para “underperform”.
A agência de notação financeira Moody’s advertiu que os Estados Unidos e o Reino Unido estão mais perto de perder o "rating" de crédito ‘AAA’, pois são os países com mais dívida, entre aqueles que têm a classificação máxima da dívida e terão de encontrar o equilíbrio que lhes permita reduzir o endividamento, sem penalizar o crescimento económico.
Outro dos factores que contribuiu para a queda das praças europeias, foram os receios de que a China e a Índia limitem o crescimento económico para conterem a inflação. “Que a China pode retirar dinheiro do mercado” já está a ser descontado. “Precisamos de um novo estímulo dos lucros ou dos dados económicos”, referiu o gestor de fundos do Semper Constantia Privatbank AG de Viena.
O índice holandês, AEX recuou 1,31% para 335,11 pontos, a maior queda entre os principais índices europeus, com o ING Groep a cair 2,65% para 7,126 euros.
O espanhol IBEX foi o segundo que caiu mais, a desvalorizar 1,08% para 1.0957,80 pontos, pressionado pelo Banco Santander que recuou 1,50% para 10,21 euros e a Telefónica que caiu 1,31% para 17,685 euros, depois do S&P ter reduzido a classificação de risco do sector bancário espanhol, reflectindo o risco de deterioração da economia, e igualando-a aos níveis que já tinham sido divulgados para países como os EUA, o Reino Unido e Portugal.
O Banco de Espanha também recomendou hoje às instituições financeiras que sejam “mais transparentes” e que façam “esforços suplementares” no que respeita às provisões que estão a fazer isto porque considera que 2010 será ainda marcado pela “tensão” no sector da construção.
O francês CAC, desvalorizou 0,93% para 3890,91 pontos. O inglês FTSE depreciou 0,57% para 5593,85 pontos e o alemão DAX caiu 0,70% para 5903,56 pontos.
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domingo, 14 de março de 2010
Interceda pela jovem Igreja mauritana
A autoria do assassinato foi reclamado pela al-Qaeda no Magreb, um grupo terrorista da origem argelina ligado à al-Qaeda. A polícia, entretanto, foi responsável pela detenção e tortura dos cristãos mauritanos e subsaarianos.
A Constituição do país o define como república islâmica e reconhece o islamismo como a religião dos cidadãos e do Estado. O governo limita a liberdade de religião proibindo a impressão e distribuição de materiais religiosos não islâmicos e a evangelização de muçulmanos.
Pedidos de oração
1. Interceda pela jovem Igreja mauritana. Ore para que os cristãos amadureçam em sua fé. Algumas tentações, como dinheiro, podem influenciá-los a não manter seu coração puro e firme em Jesus.
2. Culturalmente, há muitas diferenças entre os grupos étnicos que compõem a população mauritana. Ore para que os líderes cristãos de diferentes etnias consigam superar as diferenças e se unirem no trabalho, tendo Jesus como exemplo.
3. A Igreja enfrenta muitas restrições em suas atividades. Ore para que o governo reveja sua posição e sustente a garantia constitucional de liberdade religiosa, permitindo a conversão de muçulmanos ao cristianismo sem ameaçá-los de morte.
4. Os cristãos sofrem com a miséria da nação. Ore para que cristãos estrangeiros ajudem a Mauritânia por meio de programas de desenvolvimento econômico e comunitário, o que poderia gerar boas relações entre a igreja e o governo.
5. A Igreja está diminuindo numericamente. Ore e peça que os poucos cristãos nativos, direcionados por Deus, tornem-se evangelistas ousados e compartilhem sua fé com outros mauritanos.
Leia mais sobre a Mauritânia, país que ocupa o 8º lugar na Classificação de países por perseguição.
Tradução: Missão Portas Abertas
Fonte: Missão Portas Abertas
Albinos na Tanzânia são assassinados para alimentar superstição
O incidente ocorrido com Fatuma, relatado pelo jornalista tanzaniano Richard Mbuthia do site "On the Spot", faz parte de uma sucessão de crimes contra albinos na região dos Grandes Lagos na África, mais precisamente na Tanzânia. Neste país, acredita-se que partes do corpo de uma pessoa com deficiência de melanina têm poderes mágicos. Língua, cabelos, genitais e até o sangue são utilizados por feiticeiros para trazer prosperidade e sorte.
A crença tem levado a um aumento do tráfico de órgãos. De acordo com a Cruz Vermelha, 56 mortes foram registradas nos últimos três anos. No entanto, a população local afirma que só na Tanzânia foram mais de 60 assassinatos.
"Quem mata, muitas vezes, nem acredita nisso", constata Paul Ash, representante da ONG canadense Under the Same Sun (Sob o Mesmo Sol) que luta contra esse tipo de crime. “Eles só querem o dinheiro porque é um negócio rentável. Uma pessoa albina desmembrada chega a valer US$ 75 mil".
A média mundial de incidência de albinismo é de um para cada 20 mil habitantes. Na Tanzânia, entretanto, esse número cresce para um a cada 4 mil pessoas. Por conta da onda de assassinatos, segundo a Cruz Vermelha, 10 mil albinos moram escondidos para proteger suas vidas.
"A vida deles têm sido difícil, eles não têm para onde correr", conta Vicky Ntetema, jornalista tanzaniana da BBC que foi ameaçada de morte ao filmar com uma câmera escondida o tráfico.
Justiça
De acordo com dados publicados pela Reuters em dezembro, sete foram condenados à forca na Tanzânia por terem matado albinos e cerca de 100 esperam julgamento.
O presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete, está pressionando a polícia para identificar as residências dos albinos e oferecer proteção. Esse cuidado aumentou com a pressão internacional gerada depois que os casos vieram à tona.
"O processo na Tanzânia é lento e, apesar das condenações, mais de 50 famílias esperam por justiça", lembra Paul Ash, irmão do albino Peter Ash, ativista da causa.
Segundo Ash, o maior problema é que a justiça se concentra nas pessoas que praticam os crimes e não naquelas que procuram os órgãos para a prática da feitiçaria. "Há pessoas ricas por trás disso. Quem na Tanzânia teria US$ 75 mil para comprar um albino morto?", questiona.
Vicky Ntetema acredita que esse é o maior impasse para o fim dos crimes. "A lei existe, mas não atinge as pessoas certas. São os homens de negócios e os políticos quem financiam esses assassinatos". A jornalista teme ainda que com a proximidade das eleições parlamentares na Tanzânia, no fim deste ano, a procura por órgãos de albinos aumente.
Desmistificação
Ao levar o tema para a mídia, a ONG Under the Same Sun busca desmistificar o albinismo. "Nossa principal intenção é mostrar às pessoas que partes do corpo de albinos não trazem boa sorte. Isso é uma superstição e somente a educação é capaz de acabar com ela", explica Ash.
Já Vicky não é tão confiante. A jornalista lamenta, mas acredita que os autores por trás desses crimes não consideram albinos como pessoas.
"São crimes que infelizmente demorarão a cessar", prevê. "É uma crença muito forte, e mudanças de mentalidade não são nada fáceis".
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Comer por dois prejudica o bebê e até interfere no sexo
O estudo foi realizado com fêmeas grávidas de camundongo, sendo que algumas receberam alimentação com alto teor de gordura e carboidrato e, outras, baseada em grão de soja. As refeições repletas de excessos tiveram efeito sobre quase 2 mil genes dos filhotes em desenvolvimento, incluindo os envolvidos na função do rim e do olfato.
As variações mais marcantes aconteceram nos fetos do sexo feminino, sugerindo que meninas podem ser mais suscetíveis do que meninos a mudanças genéticas desencadeadas pelos hábitos alimentares da mãe. Filhos e filhas apresentam riscos diferentes para desenvolver obesidade e diabetes ao longo da vida, o que aparentemente está relacionado com a dieta materna ou a condição corporal da mulher durante a gravidez. Por exemplo, garotos com mães obesas são mais propensos do que garotas a se tornarem obesos e terem diabetes à medida que envelhecem, embora não haja diferença evidente no peso ao nascer.
Cheryl Rosenfeld, da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, e seus colegas observaram que o sexo dos filhotes nascidos em certas espécies de mamíferos, como ratos e humanos, pode ser influenciado pela dieta da gestante. Quem aposta em comidas altamente calóricas e café-da-manhã regular tende a aumentar as chances de dar à luz um bebê do sexo masculino, enquanto o menor consumo de energia aumenta a probabilidade de um do sexo feminino.
"Nos seres humanos e ratos, restrição alimentar e uma dieta de qualidade inferior durante o período em torno de concepção e início da gravidez levam a um excesso de filhas, muito provavelmente devido à perda seletiva de fetos do sexo masculino, o mais vulnerável no útero", escreveram os autores, segundo o Times Online, do Reino Unido. No entanto, a equipe disse que há muitos fatores que determinam o sexo e a saúde do bebê.
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Agressores não são doentes e raramente se arrependem
A violação sexual é o crime com mais impacto nas vítimas. É perturbador, também, porque envolve um criminoso de quem ninguém suspeita.
"É muito difícil identificar sinais que indiquem um potencial violador", dispara Maria Francisca Rebocho. Ainda assim, a autora de "Caracterização do violador português" contribui para entender quem são, afinal, estes agressores disfarçados de gente "normal".
Tem entre 30 e 35 anos. Cumpriu apenas a escolaridade primária. Trabalha em sectores como o da construção civil ou da agricultura. Abusa do consumo de álcool. Não tem relação estável, nem cadastro, nem antecedentes de doença mental.
Quantos homens cabem neste perfil? Com certeza, cabe a maioria dos reclusos portugueses condenados por violação. As conclusões correspondem à amostra (de 87 indivíduos) estudada por Maria Rebocho, psicóloga forense. Mas, neste perfil, encaixarão muitos outros homens: inocentes e culpados, lúcidos e perturbados.
Entretanto, a investigadora garante: "Um violador não é um doente". Este tipo de criminoso pode ter "mais ou menos traços de psicopatia", mas não é considerado psicopata, antes "moderadamente psicopático", explica.
Caso tenha mais sintomas de psicopatia, então pode ter outro género de características. Pode ser "um gabarolas, alguém que inflaciona o seu próprio valor, que é excessivamente simpático, que mente em várias esferas da sua vida", continua a docente do Instituto Superior da Maia.
Há mais pistas. Pode ser "alguém que não assume os seus erros, que vive de forma parasítica, à custa da mãe ou da namorada ou alguém que vai atrás do risco".
Na generalidade, criar empatia, perceber o impacto das suas acções nos outros e regular emoções não são qualidades de um agressor sexual.
Imitar as emoções dos outros
Desde há cerca de sete anos que Cristina Soeiro, psicóloga forense da Polícia Judiciária, estuda os agressores sexuais portugueses. Concluiu que se trata de um grupo muito heterogéneo, mas foi possível traçar um perfil padrão. O violador mais comum "tem uma visão negativa das mulheres e acha que os homens são mais importantes. Acredita em mitos relativos às violações e desculpabiliza a violência", descreve.
O estudo desenvolvido pela docente do Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais permitiu entender que se tratam de indivíduos com baixa auto-estima, frequentemente com histórico de abuso de substâncias e descendentes de famílias desmoronadas.
Agindo muitas vezes por impulso, tratam-se de pessoas com grande dificuldade de regulação emocional. Não sabem o que é sentir e, por isso, "imitam a forma como os outros expressam as emoções", explica, por sua vez, Maria Rebocho. Actuam como camaleões.
"Ela dizia não. Mas queria dizer sim."
Se sofre de uma perturbação ao nível do controlo emocional, pode um violador arrepender-se? "É raro. Até hoje só vi um caso de arrependimento genuíno", relata Maria Rebocho. Mais frequente é a culpabilização da vítima. Os argumentos mais usados pelos agressores: "É a fantasia de todas as mulheres. Ela era muito sedutora. Ela dizia não. Mas queria dizer sim".
A psicóloga forense observou sempre um remorso "superficial e egocêntrico". Quando confrontados com o impacto da violação, a primeira perspectiva é pessoal: ficaram sem mulher, sem emprego. "Prejudicou-me muito", dizem.
Já a percepção que têm do sofrimento da vítima depende, sobretudo, do que ela for capaz de expressar no acto da violação. Só as emoções exteriorizadas contam. Se gritar, sofreu. Se não chorar, não sofreu.
Violação como demonstração de poder
A pergunta impõe-se: é possível reabilitar um agressor sexual? Poderá ele pagar pelo crime e resgatar uma vida saudável em sociedade? "Dificilmente", defende a docente do ISMAI. Mas há que considerar vários factores para falar em potencial sucesso ou fracasso.
Tratando-se de psicopatas, é praticamente impossível. "Têm muita resistência à terapia". No caso de violadores com menos traços psicopáticos e que tenham praticado o crime na sequência de um factor específico, como uma perda traumática, então, "aumentam as possibilidades de fazer terapia". O tratamento também se torna menos complicado junto de violadores que praticaram um crime isolado, agravando-se drasticamente quanto se trata de violadores em série.
A psicóloga da Polícia Judiciária acrescenta que os casos mais violentos, provocados por indivíduos com perturbações de personalidade, e os casos mais bizarros, no caso de agressores que acumulam parafilias [comportamentos sexuais desviantes], são, igualmente, de recuperação improvável. "Mas há situações em que se pode intervir ao nível das crenças sobre as mulheres e sobre a conduta", sublinha.
Perante um cenário inequívoco de recidiva do crime, a castração química surge no debate. Não é consensual. Além de "eticamente muito problemática, não resolve todas as situações", defende Maria Rebocho. Para que serve a castração química se o ímpeto de um violador não é sexual? "Muitos atacam as mulheres movidos por vingança. Outros usam a violação como a forma suprema de humilhação. Outros ainda vêem neste crime uma demonstração de poder", sublinha. Baseada no estudo de cerca de 70 indivíduos detidos por violação, Cristina Soeiro conclui, por sua vez, que há dois tipos de motivação: sexual e relativa ao poder.
Factos anormais de um casamento
A maioria dos violadores portugueses não tem uma relação estável na altura do crime. Entretanto, o caso do "violador de Telheiras" lembra que sempre haverá excepções. Henrique Sotero namorava há quase dez anos. Quase nada se sabe sobre a sua mulher.
É uma outra face deste crime. Uma outra vítima. O que acontece a uma mulher que partilhou uma vida, anos a fio, com um homem que, de repente, é "apanhado" como um agressor sexual? Como foi ele capaz de destruir tantas mulheres sem que ela tivesse sequer suspeitado? Como reage a mulher do violador?
Por norma, rejeita-o. "Ela não aceita e é frequente haver uma ruptura do casal, o desmoronar da família", afirma Maria Rebocho. Por norma. Nem sempre.
A investigadora recorda o caso de uma mulher que foi vítima de violação perpetuada por parte do marido, mais tarde condenado e preso. Ela continuou a visitá-lo na prisão. Ele dizia que eram "factos normais da vida de casados". Na realidade, há casamentos em que "as mulheres nem se apercebem que o que lhes acontece é uma violação".
E também "há casos de mulheres que dizem que enquanto o marido lhes bate ou as viola demonstra sentimentos por elas", explica a perita. Se nada fizessem "seria muito pior. São mulheres com personalidade dependente, que não suportam a ideia de estarem sozinhas".
Vítimas: que factores de risco?
Sabe-se que a maioria das vítimas (95%) são mulheres, com uma idade média de 34 anos, segundo o estudo de Maria Rebocho. Mas isto é quase tudo o que se sabe. "Não é possível traçar o perfil da vítima", atesta Carla Machado, investigadora da Universidade do Minho. O perfil atravessa vários grupos sociais. Não há um padrão.
Há, isso sim, factores de risco. "As mulheres mais perturbadas psicologicamente têm mais dificuldade em proteger-se ou em saber identificar contextos de risco. Mas não têm, necessariamente, perturbações graves", explica a psicóloga, que desenvolve o seu trabalho junto de vítimas de crimes. Também as mulheres que sofreram uma violação precocemente podem ter um trauma psicológico que as leva a não valorizar a sua segurança.
Nos casos em que a violação é continuada, ao longo de anos de relacionamento, o factor de risco poderá, então, ser a própria educação das mulheres, "a quem lhes ensina que o mais importante é satisfazer o homem, que vale mais uma má relação do que a solidão".
Depois, há circunstâncias de risco, como a frequência de lugares pouco seguros ou o consumo de álcool. "Desta forma, a vítima reduz as capacidades para se defender e até a recusa do acto sexual pode não ser totalmente clara", acrescenta Carla Machado.
Evitar circunstâncias de risco é possível. Detectar um violador? Improvável. Em matéria de prevenção, a conclusão inquietante é que, muito provavelmente, a única forma de evitar o crime faz-se, a longo prazo, culturalmente. "Na educação pelo respeito pelas mulheres, na educação para a sua autonomia, na capacidade de julgamento de situações", defende a docente.
A curto prazo, o processo de tratamento das denúncias poderia ser optimizado. Desde a queixa à polícia, passando pelos exames médico-legais, até ao confronto com o violador em tribunal. Tudo é "traumático. E quanto mais se arrastar, mais as vítimas estão, permanentemente, a activar as memórias do crime", alerta a psicóloga.
Nem todas recuperam, dizem os peritos. E se quase nada parece possível - identificar um violador, evitar a repetição do crime, prevenir -, será, ao menos, exequível acelerar o processo judicial destes casos?
Fonte: JN
Formula 1: Bahrain Grand Prix - Online
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Link: Formula 1: Bahrain Grand Prix
Valladolid vs Real Madrid - Onine
Transmissão agendada para as 20:00 (Hora Portuguesa)
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Ornitologia: Acasalamentos de canários ligados ao sexo
Os Canários Satinés (olhos vermelhos), Pasteis (melaninas diluídas) e os Marfins (lipocrómos diluídos) são ligados ao sexo, isto é, apenas o macho dá características à descendência, sendo que as fêmeas são neutras, nunca portando o factor (ou são puras ou normais). O acasalamento com esses exemplares se reflecte na descendência nas seguintes maneiras:
Puro x Pura = descendentes Machos e Fêmeas Puros
Puro x Normal = descendentes Machos Portadores e Fêmeas Puras
Normal x Pura = descendentes Machos Portadores e Fêmeas Normais
Portador x Pura = descendentes Machos Puros, Machos Portadores, Fêmeas Puras e Fêmeas Normais
Portador x Normal = descendentes Machos Normais, Machos Portadores, Fêmeas Puras e Fêmeas Normais
Deste quadro se depreende que, se acasalarmos um macho Satiné, Pastel ou Marfim com fêmeas puras ou normais da mesma linha, obteremos filhotes conforme os esquemas acima apresentados.
Ornitologia: Genética
Vários termos genéticos importantes
Genótipo: constituição genética do indivíduo.
Fenótipo: aparência do indivíduo em parte como consequência do seu genótipo e ambiente.
Loci (pl) Locus (sing): localização específica de uma característica (alelo) num cromossoma. Um par de alelos (gene) tem loci iguais cada um transportando um diferente alelo podendo ou não ser afectados por esses outros alelos.
Gene: unidade de informação hereditária. É uma zona específica do DNA dos indivíduos que contém codificada a informação para a síntese de uma determinada proteína.
Alelo: cada umas das formas alternativas de um gene, que pode ocupar o respectivo locus e cujo número varia. A representação normal é feita por meio de uma letra.
Cromatina: substância localizada no núcleo da célula envolvida pela mesma membrana (rede corável), que contém os cromossomas.
Cromossoma sexual: cromossoma X, determina o sexo. No caso de aves e borboletas, o sexo masculino tem dois cromossomas X, o feminino tem um cromossoma X. Acontece o contrário com todas as outras espécies de animais e com o homem.
Cromossoma X: cromossoma sexual, existe duplamente nas aves e borboletas, no sexo feminino apenas uma vez; em todas as espécie dos animais e no homem dá-se o caso inverso. Factores hereditários que estão no cromossoma X passam a herança ligados ao sexo.
Crossing over: troca de genes.
Autossómico: as características herdadas são regidas pelos genes localizados em cromossomas não determinantes do sexo.
Factores ligados ao sexo ("Sex. - linked"): características herdadas através dos cromossomas sexuais. No caso das aves os machos possuem um par de cromossomas Z e as fêmeas um cromossoma Z e um cromossoma W. Considera-se que estas características estão baseadas no cromossoma masculino Z, podendo ser herdadas numa só cópia pelas fêmeas e em uma ou duas pelos machos.
Di-hibrído: diferenciado em duas propriedades hereditárias.
Homozigóticos: a presença de dois alelos semelhantes no loci correspondente do mesmo gene. Aplica-se a genes autossómicos mas também pode ser aplicado a características ligadas ao sexo nos machos.
Heterozigótico:a presença de dois alelos diferentes nos loci do mesmo gene. Aplica-se a genes autossómicos mas também pode ser aplicado a características ligadas ao sexo nos machos.
Recessivo: características expressas no fenótipo só quando existem dois alelos para essa característica nos loci do mesmo gene, caso contrário o efeito desse alelo não é visível, excepto no caso das fêmeas com mutações ligadas ao sexo.
Dominante: características que são expressas no fenótipo mesmo quando só está presente um alelo. Quando combinadas com um outro alelo recessivo dominam-no.
Dimorfismo: aspectos diferente dos sexos de uma espécie. Pelo cruzamento do cardinalito da Venezuela, esta característica também pode aparecer nos canários (fêmeas mosaicas).
Diplóide: com numero de cromossomas duplo (2n).
Hibridação: produção de híbridos.
Híbridos: diferenciado em propriedades hereditárias.
Incubação: choco.
Mono-híbrido: diferenciado em uma propriedade hereditária.
Portador: indicado "/": indivíduo que embora não o demonstre no seu fenótipo transporta alelos recessivos ou ligados ao sexo mas que estão escondidos por outro gene, podendo mesmo assim ser transmitidos à descendência.
FS: Factor Simples. apenas está presente um alelo para a característica. Usa-se para diferenciar os indivíduos que, expressando um fenótipo dominante não são puros e transportam outros alelos recessivos.
FD: Factor Duplo. Estão presentes dois alelos para a característica. Apenas faz sentido quando usado para identificar indivíduos dominantes puros, i.e., com dois alelos dominantes.
Teste de cruzamento
Este cruzamento é feito com um indivíduo homozigótico recessivo para o factor que se pretende estudar, que facilmente se identifica pelo seu fenótipo e um outro de genótipo conhecido ou não. Por exemplo, se cruzarmos um macho desconhecido com uma fêmea recessiva, podemos determinar se o macho é portador daquele carácter recessivo ou se é puro. Caso este seja puro, todos os filhos serão como ele, se for portador, 25% serão brancos, etc... Esta explicação é muito básica, pois geralmente é preciso um pouco mais do que este único cruzamento.
A limitação destes cruzamentos está no facto de não permitirem identificar portadores de alelos múltiplos para a mesma característica, ou seja, podem existir em alguns casos mais do que dois alelos para o mesmo gene e o efeito da sua combinação variar. Além disso, podemos estar a cruzar para um factor para o qual o macho ou fêmea a testar não são portadores mas serem para outros.
Factores ligados ao sexo
Existem diversas mutações em muitas espécies que são controladas e transmitidas por este mecanismo genético, pelo que é importante que se compreenda o seu funcionamento.
Por definição, e no caso das aves, os factores ligados ao sexo estão no cromossoma sexual masculino Z. Isto é muito importante porque enquanto os outros factores nos cromossomas autossómicos são transportados em pares em todos os indivíduos de ambos os sexos, neste caso, os machos transportam dois cromossomas Z e as fêmeas apenas um. Esta situação é o inverso do que sucede com os mamíferos onde é o sexo masculino que têm uma situação de herozigotia sexual com um cromossomas X e um Y, enquanto as fêmeas são XX.
Quando da fertilização, os óvulos produzidos pela fêmea transportam ou um cromossoma Z ou W ao qual se vai juntar um cromossoma Z proveniente do macho reformando o par ZZ ou ZW conforme a combinação. Assim, todos os genes que a mãe tiver no seu cromossoma Z são passados aos filhos macho (pois recebem um cromossoma Z da mãe), enquanto que os filhos fêmea recebem o cromossoma W ao qual se junta um dos Z do macho. É por isso que com mutações ligadas ao sexo, os machos podem produzir descendência com essa mutação (sempre fêmeas), mas para se produzirem machos também de mutação temos sempre de ter uma fêmea já mutada e um macho no mínimo portador (em que apenas existe o gene mutado num dos dois cromossomas Z).
Selecção artificial
Entende-se por selecção, a escolha não aleatória dos reprodutores de modo a que estes transmitam determinadas características às gerações seguintes. Desde sempre que o homem faz selecção artificial de várias coisas, cruzando animais com força a outros com grande tamanho, plantas de frutos grande com outras que produzem mais frutos, mas de menores dimensões ou melhor qualidade.
Também nas aves se vêem seleccionando à já vários séculos características específicas. Na Idade média faziam-se concursos de tentilhões para ver qual cantava melhor vencendo os seus rivais. Foi assim que se chegou a criar novas espécies, todas as variedades de canário, a partir da ave selvagem.
Para seleccionarmos temos antes de mais que assegurar que aquele casal apenas acasala entre si, pelo que convém separá-lo de outros da mesma espécies e de espécies intercruzáveis. Tem de ser referido um factor que muitas vezes é esquecido por quem começa e por quem já sabe do ofício e leva a desilusões frequentes. Quando se fala de selecção, esta apenas faz sentido numa linha e raramente em indivíduos isolados. Ou melhor, a selecção individual dos indivíduos deve ter em vista a melhoria de uma linha, semelhante ou não. Não podemos esperar que num único cruzamento se melhore a qualidade das aves, isso sucede ao longo das gerações conforme vamos mantendo os melhores exemplares e reproduzindo com eles. É errado pensar que comprando uma ave muito boa se pode fazer milagres, muitas vezes é desperdiçar de tempo e dinheiro, é preciso aprender o que se precisa, o que se tem e o que se quer melhorar nas gerações futuras.
Depois temos de saber o que queremos produzir e como esse factor é transmitido geneticamente. O modo empírico e mais usual é usar aves que mostrem aquela característica específica e cruzá-las entres si, para depois esperar que os filhos demonstrem ainda mais aquele factor, mas nem sempre isto funciona, é mais adequado para trabalhar e melhorar mutações já estabelecidas.
Linhas puras
Uma linha pura é aquela em que todos os indivíduos têm uma constituição genética idêntica e originam descendentes idênticos, sendo o resultado do cruzamento previsível.
Arranjar linhas puras é complicado e envolve muito tempo de trabalho, em especial com espécies que se reproduzem pouco e atingem a maturidade sexual muito tarde.
Para obtermos uma linha pura, nunca podemos trabalhar apenas com uma ou duas aves, nem mesmo com um só casal. Se dispusermos de pelo menos dois casais de origens distintas, mas com as mesmas características que queremos seleccionar, podemos intercruzar os filhos e eliminar todos aqueles que não se enquadrem no pretendido. Desse novo cruzamento devemos obter alguns exemplares puros que depois vamos usar em combinações ou cruzamentos com outras aves para fixar a característica.
Mesmo assim o mínimo para fixar uma linhagem são 3 casais distintos, de preferência 4 ou 5. Só assim podemos garantir que existe suficiente variabilidade genética dentro do efectivo para assegurar uma melhoria nas gerações futuras. A variabilidade genética é a base de toda a evolução, perseguir linhas uniformes é utópico, pois acaba por invalidar avanços futuros. Só podemos escolher os melhores em gerações sucessivas se houver alguns melhores que outros!! E sobretudo melhores que os pais o que se consegue juntando os pontos fortes dos reprodutores.
Consanguinidade
Também na consanguinidade, muitas das vezes comete-se erros. Não existe qualquer problema em cruzar irmãos com irmãos, ou filhos com pais desde que se saiba como fazê-lo. Na realidade este é o método mais rápido e eficaz de fixar uma característica porque a base genética é semelhante.
Quando se faz isto tem de se partir de um casal não relacionado, isto é, os pais nunca poderão ser da mesma linha. O melhor é adquiri-los a vários criadores diferentes. Assim, a descendência que esse casal produz pode ser cruzada entre si escolhendo os melhores exemplares (tamanho, porte, cor). Desse cruzamento escolhemos de novo os melhores mas agora para cruzar com uma ave semelhante de outra linha que não a dos pais ou irmãos. Para exemplo podemos usar uma fêmea e adquirir um outro macho. Deste modo quebramos imediatamente a depressão por consanguinidade nos descendentes do terceiro cruzamento.
Cruzamentos de caracteres recessivos
Para os caracteres controlados por um mecanismo autossómico recessivo temos de produzir reprodutores que sejam homozigóticos recessivos ou, no mínimo, portadores desse alelo recessivo. Só assim conseguiremos obter descendentes que manifestem essa característica.
Partindo de um único macho devemos primeiro produzir uma geração de portadores o que se consegue cruzando o macho recessivo com uma fêmea pura dominante para esse alelo (ou vice-versa). Todos os filhos serão fenótipicamente idênticos à mãe mas portadores do alelo recessivo. Aqui, devemos escolher dois filhos e cruzá-los de modo a obtermos 25% de descendentes que são recessivos tal como o primeiro macho. Esses vão ser acasalados com outras fêmeas de uma outra linha que não a da sua mãe de modo a fazer duas linhas distintas de portadores. Deste modo, conseguimos obter duas linhas com apenas 25% de consanguinidade e que podem ser cruzadas entre si sem grandes problemas.
Os cruzamentos entre dois portadores não são recomendáveis porque nunca poderemos saber quais os filhos portadores e os não portadores, pois estes são fenotipicamente iguais, daí que quando se pretenda evitar o cruzamento de dois recessivos devemos usar sempre ou um recessivo e um dominante (obtendo todos os descendentes portadores) ou então um recessivo e um portador (obtendo 50% recessivos e 50% portadores).
Caracteres recessivos ligados ao sexo
Estes por serem ligados ao sexo, são mais fáceis de trabalhar, pois os machos vão sempre produzir fêmeas recessivas e machos portadores, independentemente da fêmea com que sejam acasalados. Por seu lado as fêmeas vão produzir todos os machos portadores. Para se obter machos recessivos é preciso de que a fêmea seja recessiva e o macho no mínimo portador, o que até é preferível em relação ao acasalamento de dois recessivos neste caso.
Caracteres Dominantes
Os Dominantes são fáceis de trabalhar, no entanto é preciso ter cuidado para não cruzar dominantes com aves portadoras de caracteres recessivos raros ou não, pois nunca iremos saber quais os filhos portadores.
É preciso ter em conta que o Dominante Factor Simples produz 50% de descendentes dominantes e que o gene é tão fácil de reproduzir que pode passar de raro a excessivo num efectivo de apenas 2 ou 3 gerações.