As duas propostas sobre
a Cimpor não são comparáveis, defende a Camargo Corrêa, que diz também
que caso o BCP e a CGD aceitassem a proposta da Semapa teriam de lançar
uma OPA sobre a cimenteira portuguesa.
Além disso, a empresa brasileira considera que o valor de 5,75 euros referido como a oferta da Semapa
“não é um valor real”, porque, defende, o preço tem de ser “fixado por
uma entidade independente” o que pode fazer com que o valor das acções
da Cimpor seja fixado num nível acima ou abaixo do preço oferecido pela Camargo.
A InterCement, empresa que lançou a OPA à Cimpor
e que pertence à Camargo Corrêa, defende que a proposta da Semapa sobre
a cimenteira não é comparável com a sua oferta, de acordo com um
comunicado enviado para as redacções.
A empresa brasileira diz
que a proposta da Semapa “tem sido apresentada como oferecendo o valor
de 5,75 euros pelas acções da Cimpor, valor este que tem sido comparado
com o valor oferecido na OPA de 5,50 euros”, mas, a InterCement defende
que as duas propostas não são comparáveis e apresenta três critérios que
diz, comprovarem esta perspectiva.
Primeiro o valor de 5,75
euros “não pode ser considerado um valor efectivo”, justificando com o
artigo 28.º do Código das Sociedades Comerciais, que define, segundo a
Camargo, que seja uma entidade independente a fixar este valor. “Assim, o
valor das acções da Cimpor, para o efeito pretendido pela Semapa, não
pode ser neste momento garantido e poderá vir a ser maior ou menor do
que o oferecido na OPA.”
Em segundo lugar, a InterCement diz que
“comparação entre os valores oferecidos na OPA e os valores atribuídos
às mesmas acções na proposta da Semapa é também enganadora, porque não
pode comparar-se uma venda de acções com pagamento imediato do preço,
como sucede na OPA da InterCement, com a troca das mesmas acções por
títulos de uma sociedade a constituir no futuro, cujo valor final é
desconhecido e indeterminado, sem cotação nem liquidez, como sucede com a
proposta da Semapa”, adianta.
Além destes dois factores, a
InterCement apresenta um terceiro argumento: “os investidores em geral
podem ter entendido a proposta da Semapa como sendo uma oferta dirigida a
todos os accionistas da Cimpor, quando, na realidade, se trata de uma
proposta apresentada, em termos concretos que se desconhecem, apenas a
dois ou a três accionistas.”
Por fim, a InterCement deixa ainda um quarto ponto. A Camargo considera que se o BCP
e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) aceitarem a proposta que a Semapa
lhes apresentou, então terão de avançar com uma OPA. “Se a proposta da
Semapa, na versão divulgada nos media, viesse a ser aceite pelas
entidades a quem foi dirigida, entende a InterCement que a mesma dará
origem a uma OPA obrigatória a lançar por todas as entidades envolvidas
(Semapa, Fundo de Pensões do BCP, Caixa Geral de Depósitos - sendo a
esta imputada a participação da Votorantim - e Manuel Fino, SGPS).”
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